Um site para médicos precisa fazer uma coisa bem: responder, em poucos segundos, às perguntas do paciente que acabou de chegar. Quem é esse médico, ele trata o que eu preciso, onde atende, aceita meu convênio ou é particular, como eu marco. Se essas respostas estão claras no celular, carregam rápido e levam a um contato simples, o site cumpre o papel. Se não estão, nenhum visual sofisticado compensa.
Este artigo é um guia do que o site de um consultório ou clínica precisa ter: as páginas essenciais, a identificação exigida pela publicidade médica, os cuidados com LGPD, o básico de SEO e uma lista do que cobrar de quem for criar ou manter o site. É conteúdo educativo: a ADR não vende criação de sites, mas trabalha todos os dias com o que acontece quando o paciente de um anúncio cai numa página que não ajuda.
Para que serve o site do médico
O site raramente é o primeiro contato. O paciente chega até ele por caminhos diferentes, e cada um pede algo:
- Vindo do Google: pesquisou a especialidade ou um sintoma na cidade. Quer saber rápido se aquele médico atende o caso dele e onde.
- Vindo de um anúncio: clicou numa promessa específica. Quer encontrar exatamente aquilo, não a página inicial genérica.
- Vindo do Instagram ou de indicação: já ouviu falar do médico e quer conferir: formação, endereço, se parece sério.
Um bom site serve os três. Ele é, ao mesmo tempo, vitrine, prova de seriedade e ponte para o agendamento.
As páginas essenciais
Não é preciso um site enorme. É preciso as páginas certas, bem feitas.
| Página | O que precisa responder |
|---|---|
| Início | Quem é, qual especialidade, onde atende e como agendar, sem rolar muito |
| Sobre o médico | Formação, áreas de atuação, CRM e RQE, foto real |
| Especialidade ou serviços | Uma página por área principal, em linguagem de paciente |
| Primeira consulta | Como funciona, duração, o que levar, particular ou convênios |
| Contato e localização | Endereço, mapa, horários, telefone, WhatsApp, estacionamento |
| Política de privacidade | Quais dados são coletados, para quê e como pedir exclusão |
Uma página por especialidade ou serviço principal é o que mais ajuda o paciente e a busca. “Dermatologia” e “consulta de acne” são intenções diferentes; uma página genérica com todos os assuntos não responde bem a nenhum. As páginas de especialidade da ADR, como marketing para dermatologistas e marketing para ginecologistas, mostram como a demanda varia de uma área para outra.
Identificação médica e publicidade
O site é publicidade médica e segue as mesmas regras do resto da comunicação. Pontos que não podem faltar:
- nome do médico, CRM com UF e RQE quando a especialidade é divulgada;
- no caso de clínica, o responsável técnico médico;
- nenhum superlativo (“o melhor”, “referência”) nem promessa de resultado;
- nada de preço promocional ou condição por tempo limitado;
- imagens de pacientes, antes e depois e depoimentos só dentro das condições da Resolução CFM nº 2.336/2023.
Este é um resumo educativo. Antes de publicar conteúdo sobre esses temas, consulte o texto vigente da resolução no portal do CFM. O artigo sobre o que médico pode postar no Instagram organiza esses limites em uma tabela que vale também para o site.
Velocidade e celular: o detalhe que decide
A maior parte dos pacientes acessa pelo celular, muitas vezes com conexão ruim. Um site que demora para mostrar o conteúdo perde a pessoa antes de ela ler a primeira linha, e isso vale em dobro para quem chegou de um anúncio pago.
O que cobrar:
- conteúdo principal visível rápido, sem tela de carregamento nem animação de entrada;
- imagens comprimidas e no tamanho certo;
- poucos scripts de terceiros (chats, pop-ups, widgets que ninguém usa);
- botões grandes o bastante para o dedo, com WhatsApp e telefone fáceis de achar;
- texto legível sem zoom.
Ferramentas como o PageSpeed Insights, do próprio Google, mostram como o site se comporta no celular. Não é preciso tirar nota perfeita, mas uma nota muito baixa no celular é sinal de problema.
Formulário, WhatsApp e LGPD
O site deve facilitar o contato sem coletar o que não precisa.
- Peça o mínimo: nome, telefone, melhor horário e, se for útil, a especialidade ou o tipo de consulta.
- Não peça sintomas, diagnóstico, exames ou fotos no formulário nem incentive o paciente a mandar isso pelo WhatsApp. São dados sensíveis pela LGPD.
- Tenha política de privacidade clara, com finalidade da coleta e forma de pedir exclusão.
- Banner de cookies coerente com as ferramentas de medição usadas.
- Mensagem do WhatsApp pré-preenchida com o assunto da página, para a recepção já saber de onde a pessoa veio.
Depois do clique, o que acontece é responsabilidade do comercial. Um site que gera contatos e uma recepção que demora horas para responder desperdiçam o investimento. O artigo do anúncio ao agendamento mostra esse caminho inteiro.
O básico de SEO que todo site de médico deveria ter
Sem entrar em técnica, estes são os pontos que fazem o Google entender o site:
- Um título por página que diga o assunto e a cidade (por exemplo, “Ginecologista em [cidade] | Dra. [Nome]”).
- Textos originais escritos para o paciente, não copiados de outros sites.
- Endereço e telefone idênticos aos do Perfil da Empresa no Google e das redes.
- Conteúdo legível no HTML, sem depender de recursos pesados para aparecer.
- Dados estruturados verdadeiros de organização e local, sem avaliações inventadas.
- Site registrado no Google Search Console, para acompanhar indexação e erros.
O artigo sobre SEO local para clínicas aprofunda como o site e o perfil no Google se reforçam.
Site e tráfego pago
Quando o consultório investe em Google Ads ou Meta Ads, o site deixa de ser só vitrine e passa a ser parte da campanha. Algumas consequências práticas:
- o anúncio deve levar à página mais específica possível, não à inicial;
- a página precisa repetir a promessa do anúncio, com as mesmas palavras;
- a medição de conversões (clique no WhatsApp, envio de formulário) precisa estar instalada e testada, sem enviar dados pessoais às ferramentas de analytics;
- página lenta ou confusa encarece o resultado da mídia.
Para campanhas sobre um procedimento específico, uma landing page própria costuma funcionar melhor do que uma página genérica do site. A página de tráfego pago para médicos explica como a ADR conecta anúncio, página e atendimento.
Erros comuns em sites de consultório
Alguns problemas aparecem com tanta frequência que vale conferir um por um:
- Página inicial que fala do médico e esquece do paciente. Muito texto sobre trajetória e nenhuma resposta sobre o que ele trata e como agendar.
- Telefone antigo ou diferente do Google. O paciente liga para um número que não atende e desiste.
- Fotos de banco de imagem. Sorrisos genéricos passam a sensação de que o consultório não existe de verdade.
- Blog abandonado. Três artigos de anos atrás comunicam descuido; melhor nenhum do que um parado.
- Botão de WhatsApp escondido no rodapé ou coberto por pop-up de cookies no celular.
- Site em nome do fornecedor. Quando a relação acaba, a clínica descobre que não é dona do próprio domínio.
- Mesmo texto em todas as páginas de serviço, trocando só o nome do procedimento. Não ajuda o paciente nem a busca.
Corrigir esses pontos raramente exige um site novo. Na maioria das vezes, é questão de revisão e de definir quem cuida das atualizações.
O que cobrar de quem vai fazer o site
Antes de contratar, peça respostas claras para estas perguntas:
- O domínio e as contas (hospedagem, Google, Search Console) ficarão no nome da clínica?
- Eu terei acesso de administrador e poderei sair levando o site?
- Como o site se comporta no celular? Posso ver um teste de velocidade?
- Quem escreve os textos, e eles serão originais?
- O site terá política de privacidade e formulário sem dados sensíveis?
- Como serão medidos os contatos vindos do site?
- Quem atualiza horários, fotos e informações depois da entrega, e quanto tempo leva?
- O fornecedor conhece as regras de publicidade médica?
Desconfie de promessas de “primeira página do Google garantida” ou de prazos fixos de posição. Ninguém controla o que o Google mostra.
Checklist do site do consultório
- Página inicial responde quem, o quê, onde e como agendar.
- Página do médico com formação, CRM e RQE.
- Uma página por especialidade ou serviço principal.
- Página de primeira consulta.
- Contato completo, igual ao do Perfil da Empresa.
- Política de privacidade e formulário só com dados mínimos.
- Carregamento rápido e leitura confortável no celular.
- WhatsApp e telefone visíveis em todas as páginas.
- Nenhum superlativo, promessa ou preço promocional.
- Domínio e contas em nome da clínica.
- Medição de contatos testada.
- Responsável definido pela atualização.
Um site bem resolvido não aparece no relatório como “resultado”, mas sustenta tudo que aparece: o anúncio que converte, a busca que encontra, a indicação que confirma. É uma das bases da autoridade digital do médico.